Início Riscos naturais Desastres geológicos podem desencadear uns aos outros?

Desastres geológicos podem desencadear uns aos outros?

Desastres geológicos podem desencadear uns aos outros?

À primeira vista, essa pergunta parece um pouco exagerada. Terremoto é um evento isolado, erupção vulcânica é outro, deslizamento de terra ou tsunami são coisas completamente diferentes. A maioria das pessoas pensa neles um por um; um acontece, termina e a vida continua. Mas a geologia não funciona assim. A Terra não é uma máquina onde botões independentes são pressionados. É um sistema. E nesse sistema, quando uma coisa se move, é muito normal que outra reaja.

A verdadeira questão não é: "Desastres acontecem?". A verdadeira questão é: "Um desastre prepara o terreno para outro?".

Resposta curta: Sim. Resposta longa: Depende de como, quando, em que medida e sob quais condições.


A geologia funciona em cadeia, não isoladamente.

A crosta terrestre, o manto e o núcleo não são camadas separadas. Tudo o que vemos na superfície é um reflexo do que acontece em profundidade. Da mesma forma, grandes eventos que ocorrem na superfície também podem afetar sistemas profundos. É por isso que lidar com desastres geológicos individualmente é, na maioria das vezes, enganoso.

Um terremoto não é apenas um tremor de terra. Uma erupção vulcânica não é apenas lava sendo expelida. Um deslizamento de terra não é apenas o solo deslizando.

Cada um desses elementos está relacionado aos conceitos de estresse, energia e equilíbrio. E quando esses conceitos são compartilhados, os eventos também começam a se compartilhar.


Terremotos: o gatilho mais comum

Um forte terremoto sacudiu o solo e desestabilizou o terreno circundante.

Dentre os desastres geológicos, os terremotos são os que mais desempenham o papel de "gatilho". Isso porque um terremoto libera uma grande quantidade de energia em um curto período de tempo. Essa energia não fica restrita à falha geológica; ela atinge as rochas circundantes, as águas subterrâneas e até mesmo as formações geológicas da superfície.

Após um grande terremoto, costumamos ver isto:

Deslizamentos

Quedas de rochas

liquefação do solo

Tsunami

Isso não é coincidência. Um terremoto é como uma força que empurra sistemas que já estão no limite. Uma encosta já rachada, um solo já saturado, uma falha já sob tensão... Todos eles dizem "ok" junto com o terremoto.


Relação entre terremotos e deslizamentos de terra: o exemplo mais claro.

A encosta de uma montanha parece estável quando vista de fora. Mas, na realidade, está em constante equilíbrio. A gravidade puxa para baixo, a resistência das rochas a sustenta. O que quebra esse equilíbrio é, às vezes, a chuva, às vezes o ciclo de congelamento e degelo, às vezes um terremoto.

Tremores que ocorrem durante um terremoto:

Reduz o atrito entre blocos de rocha.

Aumenta a pressão da água no subsolo.

Facilita o deslizamento de camadas frágeis

É por isso que, após muitos grandes terremotos, as principais vítimas são os deslizamentos de terra. O terremoto é o gatilho, o deslizamento de terra é a consequência. Mas eles não são eventos completamente separados; são como faces diferentes do mesmo fenômeno.


Terremoto e tsunami: Corrente submarina

Para a maioria das pessoas, tsunamis são "ondas gigantes". Mas, na realidade, o fenômeno não é uma onda, e sim uma massa de água que se desloca. Quando um grande terremoto ocorre no fundo do mar, movendo-o para cima ou para baixo repentinamente, milhões de toneladas de água acima dele também reagem a esse movimento.

Há um ponto importante aqui: nem todo terremoto submarino gera tsunami. Mas terremotos com grande movimento vertical, sim, geram tsunamis.

Portanto, um terremoto por si só não é suficiente; a direção do movimento é determinante. Isso também nos mostra o seguinte: desastres geológicos não são aleatórios, eles estão mecanicamente conectados.


Terremotos podem desencadear erupções vulcânicas?

Essa pergunta é feita com frequência e a resposta é um pouco desconfortável: Às vezes sim, na maioria das vezes não.

Os vulcões funcionam com seus próprios sistemas magmáticos. Se um vulcão não estiver pronto para entrar em erupção, nem mesmo o maior terremoto poderá provocá-la. Mas se o sistema já estiver em um ponto crítico, ou seja, se o magma estiver próximo da superfície e o equilíbrio de pressão for delicado, um grande terremoto pode romper esse equilíbrio.

Terremotos podem:

Redistribuir a pressão na câmara magmática

Sistemas de fissuras abertas

Acelerar a liberação de gás

É por isso que, após alguns grandes terremotos, observa-se um aumento na atividade vulcânica. Mas o importante aqui é o momento e o estado de prontidão. O terremoto não é o único culpado; ele pode ser apenas o golpe final.


Os vulcões podem desencadear outros desastres?

22 de julho de 1980, Monumento Vulcânico Nacional do Monte Santa Helena, Estado de Washington, EUA — Enormes plumas de cinzas vulcânicas e rochas são expelidas da encosta do Monte Santa Helena em 22 de julho de 1980, no sudoeste de Washington. | Local: Washington, EUA. — Imagem © Gary Braasch/CORBIS

Com certeza. Os vulcões não produzem apenas lava; ao mesmo tempo, criam cadeias de desastres multidirecionais.

Quando um vulcão entra em erupção:

A queda de cinzas sobrecarrega os telhados com seu peso.

A mistura de cinzas com a chuva se transforma em fluxos de lama que chamamos de lahar.

A lava em contato com as geleiras provoca inundações repentinas.

Os gases liberados na atmosfera podem afetar o clima.

Na história, após grandes erupções vulcânicas:

Resfriamento global de curto prazo

Crises agrícolas

Fomes e migrações

já foram observados. Nesse ponto, os desastres geológicos se transformam diretamente em desastres sociais.


Desastres climáticos e geológicos: uma conexão silenciosa

Geralmente se pensa no clima como algo separado da geologia, mas isso é um grande erro. A longo prazo, o clima é produto da geologia; a curto prazo, ele molda os riscos geológicos.

Chuvas intensas:

Aumentar o risco de deslizamentos de terra

Aumentar a saturação do solo

Amplificar os danos após um terremoto

Derretimento das geleiras:

Perde o equilíbrio nas encostas da montanha

Reduz a pressão sobre os vulcões

Pode aumentar a atividade vulcânica em algumas regiões.

Portanto, às vezes o gatilho não é um terremoto ou um vulcão, mas sim uma mudança climática.


Desastres em cadeia: um único evento, múltiplos resultados.

Os cenários mais perigosos são situações em que um único evento desencadeia mais de um desastre. Por exemplo:

Grande terremoto

Então, tsunami

Depois, acidentes industriais no litoral.

Poluição ambiental a longo prazo

Essas cadeias de eventos transformam o conceito de "desastre" em algo mais complexo, deixando de ser apenas natural. Os eventos geológicos se expandem com suas consequências sociais, econômicas e ambientais.


Então, tudo acaba influenciando o resto?

Não. Neste ponto, é necessário evitar exageros.

Os sistemas geológicos estão interligados, mas nem todo evento desencadeia automaticamente outro. Na maioria das vezes, apenas aumenta a probabilidade. Existe um limite. Se esse limite for ultrapassado, a cadeia se inicia; caso contrário, nada acontece.

A geologia é como a ciência da probabilidade, não da "certeza".


Conclusão: Os desastres geológicos não são os únicos agentes externos.

Pensar em desastres geológicos como eventos isolados e separados é reconfortante. Mas a realidade não é essa. A Terra é um sistema gigantesco composto por processos interconectados. Nesse sistema, quando algo muda, é inevitável que outras coisas sejam afetadas.

Mas isso não precisa ser assustador. Pelo contrário, entender essas conexões:

Vamos gerenciar melhor os riscos.

Vamos desenvolver sistemas de alerta precoce.

Nos deixa mais preparados para desastres.

Desastres geológicos às vezes se desencadeiam uns aos outros. Mas somente o conhecimento pode quebrar essa cadeia.