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Os vulcões mais ativos do mundo

Lava fluindo de um dos vulcões mais ativos do mundo, demonstrando a contínua atividade geológica da Terra.

Os vulcões mais ativos do mundo: lugares onde a Terra nunca fica verdadeiramente em silêncio.

Lava fluindo de um dos vulcões mais ativos do mundo, demonstrando a contínua atividade geológica da Terra.

A Terra não é um planeta estático. Sabemos disso, mas na maioria das vezes não temos essa sensação.

Vivendo nas cidades, observando a suavidade das ruas, a solidez dos edifícios, os limites nítidos nos mapas, percebemos a crosta terrestre como um solo fixo. No entanto, essa superfície é apenas uma camada frágil com algumas dezenas de quilômetros de espessura. Abaixo dela, existe um sistema em constante movimento, aquecendo, acumulando pressão e buscando uma saída.

Os vulcões não são acidentes deste sistema. Os vulcões são a forma como a Terra funciona.

Quando um vulcão entra em erupção, o planeta não "faz" nada de fato; ele simplesmente torna visível o que sempre fez, só que desta vez de uma forma que podemos ver. Para a maioria dos vulcões, a verdadeira história não acontece no momento da erupção, mas durante os períodos de calmaria, porém de atividade, entre as erupções.

É por isso que o conceito de "vulcão mais ativo" é frequentemente mal compreendido. Os mais ativos não são aqueles que têm grandes erupções todos os anos. Os mais ativos são vulcões cujos sistemas magmáticos não se fecharam, onde as emissões de gases continuam, que são sismicamente ativos e que ainda estão sendo alimentados geologicamente.


O que significa “ativo”?

Para um vulcão ser considerado ativo em geologia:

  • Não é necessária uma erupção contínua de lava.
  • Emitir fumaça não é necessário.
  • Não precisa entrar em erupção durante a vida de um ser humano.

Um vulcão está ativo se:

  • Entrou em erupção nos últimos 10,000 anos.
  • Ainda existe um reservatório de magma subterrâneo.
  • As emissões de gases e os microterremotos continuam.
  • O sistema magmático não esfriou e não se fechou.

Alguns permanecem em silêncio, mas estão prontos. Outros jamais se calam.

Agora, vejamos os lugares onde a Terra realmente não fica em silêncio.


Kīlauea — O vulcão mais ativo do mundo

Lava fluindo do vulcão Kīlauea, no Havaí, demonstrando atividade vulcânica contínua.

Tipo vulcãoVulcão em escudo. Idade: aproximadamente 300,000 anos.

Atividade: Continuamente ativo

Erupções de grande porte: Sequência da erupção Pu'u ʻŌ'ō de 1983–2018

TectônicaPonto quente havaiano (pluma mantélica)

O vulcão Kīlauea rompe completamente com a imagem clássica de explosão que a palavra "vulcão" evoca em nossas mentes. Aqui, na maior parte do tempo, não há explosão. Em vez disso, há fluxo de água.

A lava avança silenciosamente. Ela queima a superfície, molda-a, reconstrói-a.

O que diferencia o Kīlauea é que seu sistema magmático é extremamente aberto e eficiente. O magma não fica preso nas profundezas acumulando pressão por anos. Pelo contrário, ele é continuamente transportado para cima e atinge a superfície. Isso produz uma atividade estável e de longo prazo, em vez de grandes explosões.

A sequência de erupções do vulcão Puʻu ʻŌʻō, iniciada em 1983, durou 35 anos. Durante esse período:

  • Novas massas de terra foram formadas.
  • As áreas de assentamento foram gradualmente soterradas pela lava.
  • A lava atingiu o mar e interagiu com o oceano.

Aqui, o desastre não chega de repente. O desastre se aproxima lentamente.

Geologicamente, o Kīlauea é um vulcão de "ponto quente". Isso significa que ele não está localizado em um limite de placa tectônica, mas sim sobre uma coluna quente que ascende do manto terrestre. Essa característica o diferencia de outros vulcões ativos: sua atividade não está ligada a colisões tectônicas, mas a processos nas profundezas da Terra.

Hoje, o Kīlauea é um dos laboratórios naturais mais importantes do mundo para a compreensão do funcionamento de um vulcão ativo.


Etna — O vulcão europeu que nunca esfria

Erupção de lava no Monte Etna, o vulcão mais ativo da Europa, Itália.

Tipo vulcão: Estratovulcão complexo

Idade: ~500,000 anos

Atividade: Persistentemente ativo

Erupções de grande porteErupções frequentes (da história até os dias atuais)

TectônicaPlaca Africana subduzindo sob a Placa Eurasiática

O Etna não é um único vulcão. O Etna é um sistema.

Múltiplas crateras no topo, inúmeras aberturas laterais nas encostas, complexas câmaras magmáticas subterrâneas… Para compreender o Etna, é preciso abandonar completamente a lógica de “uma única chaminé explodiu”. Aqui, a atividade surge em diferentes pontos e de diferentes maneiras.

Às vezes, a lava jorra. Às vezes, nuvens de cinzas se elevam. Às vezes, apenas gás sai, mas o chão treme.

A razão pela qual o Etna é tão ativo reside na complexa tectônica do Mediterrâneo. À medida que a placa africana avança para o norte, ela mergulha sob a placa eurasiática. Esse processo faz com que o magma seja continuamente reabastecido.

Para as pessoas que vivem ao redor do Etna, o vulcão é mais uma realidade inevitável do que uma ameaça. Os solos são férteis. Vinhedos, jardins e vilarejos são construídos nas encostas do Etna. O risco é conhecido, mas a vida continua.

O Etna representa a versão contínua, e não dramática, do conceito de "vulcão ativo".


Stromboli — O vulcão que mantém o mesmo ritmo há milhares de anos

O vulcão Stromboli em erupção durante a noite nas Ilhas Eólias, Itália.

Tipo vulcão: Estratovulcão

Idade: ~200,000 anos

Atividade: Explosões leves contínuas

Erupções de grande porteAtividade estromboliana contínua

TectônicaZona de subducção da placa africana

Stromboli vem fazendo a mesma coisa há quase dois mil anos. E essa é uma situação extremamente rara em geologia.

A cada poucos minutos, pequenas explosões. Bolhas de gás sobem, fragmentos de lava são lançados ao ar e, em seguida, tudo se acalma novamente.

Esse comportamento regular é tão característico que esse estilo de erupção foi denominado erupção estromboliana.

Mas essa regularidade não deve enganar ninguém. Stromboli ocasionalmente quebra esse ritmo. Explosões mais fortes, desabamentos laterais e movimentos de massa que atingem o mar já ocorreram. Chegou até a produzir pequenos tsunamis no passado.

O perigo de Stromboli não está na sua intensidade, mas na habituação que cria. Quando nada acontece durante muito tempo, as pessoas começam a pensar que nunca mais acontecerá nada.

A geologia não funciona dessa maneira.


Piton de la Fournaise – Atividade silenciosa, mas sem fim

Fluxo de lava do vulcão Piton de la Fournaise, na Ilha Reunião, França

Tipo de vulcão: Vulcão em escudo Idade: ~530,000 anos Atividade: Frequentemente ativo Principais erupções: Numerosas erupções (séculos XX e XXI) Tectônica: Vulcanismo relacionado a pontos quentes

O Piton de la Fournaise não é notícia de primeira página. Mas os geólogos o levam muito a sério.

A razão é o funcionamento extraordinariamente regular deste vulcão. A alimentação de magma é estável. A pressão aumenta, o fluxo de lava começa, a pressão cai e o sistema se prepara novamente.

Esse ciclo se repete a cada poucos anos, às vezes em intervalos menores.

As lavas são fluidas e geralmente avançam em áreas controladas. Isso coloca o Piton de la Fournaise na classe de vulcões ativos, mas relativamente "previsíveis".

Do ponto de vista geológico, este local oferece um corte transversal ideal para compreender como funciona um vulcão em escudo.


Erta Ale — Uma janela de magma deixada aberta na superfície da Terra

Lago de lava persistente no vulcão Erta Ale, na Depressão de Afar, Etiópia

Tipo vulcãoVulcão em escudo com lago de lava

Idade: Desconhecido (Holoceno)

AtividadeLago de lava persistente

Erupções de grande porteAtividade efusiva recorrente

TectônicaJunção Tripla de Afar (rifteamento continental)

Erta Ale se assemelha mais a uma fenda geológica do que a um vulcão.

Existe um lago de lava aqui. E esse lago não é temporário. Ele continua a existir por meses, anos. Isso significa que o magma está continuamente chegando à superfície.

A região de Afar, onde se localiza Erta Ale, é um ponto onde o continente africano está se fragmentando lentamente. Três placas tectônicas diferentes estão se separando nessa região. Isso torna a crosta terrestre mais fina, facilitando a ascensão do magma.

O que torna o Erta Ale especial não são as suas erupções, mas sim o facto de nunca fechar.

O interior do planeta pode ser observado aqui quase a olho nu.


Sakurajima — Uma cidade que aprendeu a viver sob as cinzas

Erupção do vulcão Sakurajima
Vulcão Sakurajima entra em erupção perto da cidade de Kagoshima, Japão

Tipo vulcão: Estratovulcão

Idade: ~13,000 anos

AtividadeExplosões quase contínuas

Erupções de grande porte: Erupção Taishō de 1914

TectônicaSubducção da placa do Mar das Filipinas

A queda de cinzas é normal em Sakurajima. Não é um desastre, é uma situação rotineira.

Ocorrem centenas de pequenas explosões por ano. A maioria é breve, mas se repete constantemente. O sistema magmático é raso e a pressão do gás é liberada com frequência.

A grande explosão de 1914 conectou Sakurajima ao continente. A ilha tornou-se uma península.

Hoje, Sakurajima é um dos raros exemplos onde um vulcão ativo convive com uma cidade.


Merapi — O Ponto Onde a Atividade Colide com os Humanos

Monte Merapi
Vulcão Monte Merapi com pluma de cinzas e cúpula de lava em Java, Indonésia.

Tipo vulcão: Estratovulcão

Idade: ~400,000 anos

AtividadeAltamente ativo

Erupções de grande porteerupção de 2010

TectônicaPlaca Indo-Australiana subduzindo sob a Placa Eurasiática

O Merapi é geologicamente semelhante a muitos vulcões ativos. Mas com uma diferença: está rodeado por pessoas.

Suas lavas são viscosas. Elas não fluem, elas se acumulam. Domos de lava se formam. E quando esses domos colapsam, fluxos piroclásticos que descem as encostas em segundos emergem.

Esses fluxos não são lava, nem cinzas. São uma mistura de gás combustível, rocha e cinzas. E não há escapatória.

O perigo do Merapi não reside na frequência de suas erupções, mas sim em seu contexto geográfico. Se o mesmo vulcão estivesse em um local deserto, talvez não fosse tão mortal.


Nyiragongo — O fogo que flui mais rápido do mundo

Monte Nyiragongo
Vulcão Nyiragongo com lago de lava incandescente na República Democrática do Congo

Tipo vulcão: Estratovulcão com lago de lava

Idade: ~12,000 anos

Atividade: Ativo

Erupções de grande porte: 1977, 2002

TectônicaSistema de Rift da África Oriental

A lava do Nyiragongo é diferente. Muito diferente.

Devido à sua viscosidade extremamente baixa, os fluxos de lava podem avançar a velocidades de dezenas de quilômetros por hora. Isso significa que os humanos não podem escapar correndo.

O lago de lava no topo da cratera seca ocasionalmente e a lava flui diretamente em direção às áreas habitadas. Grande parte da cidade de Goma foi danificada dessa forma em 2002.

O vulcão Nyiragongo demonstra o quão perigosa pode ser a variável que o conceito de "vulcão ativo" representa.


Ulawun, Papua Nova Guiné

Ulawun é um vulcão ativo localizado na ilha de New Britain em Papua Nova Guiné. É um dos vulcões mais ativos e perigosos da Papua Nova Guiné, com uma longa história de erupções que causaram danos significativos e perdas de vidas. É a montanha mais alta do arquipélago de Bismarck com 2,334 metros (7,657 pés) e um dos vulcões mais ativos da Papua Nova Guiné. Vários milhares de pessoas vivem perto do vulcão. Houve 22 erupções registradas desde o século XVIII.

A mais recente grande erupção de Ulawun ocorreu em 2019, causando danos significativos e forçando a evacuação de comunidades próximas. A erupção também gerou uma grande nuvem de cinzas que interrompeu o tráfego aéreo na região.


Mauna Loa, Havaí

Mauna Loa
Mauna Loa

Mauna Loa é um enorme vulcão escudo localizado na Ilha Grande do Havaí e é um dos maiores vulcões ativos da Terra. É considerado um dos vulcões mais ativos do mundo, com uma longa história de frequentes erupções. O nome havaiano “Mauna Loa” significa “Montanha Longa”. As erupções de lava de Mauna Loa são muito fluidas; as erupções tendem a ser não explosivas e o vulcão tem encostas relativamente rasas. A erupção mais recente do Mauna Loa ocorreu em 1984, e os cientistas continuam monitorando de perto o vulcão em busca de sinais de atividade.


Galeras, Colômbia

Vulcão colombiano Galeras entra em erupção

Galeras é um vulcão ativo localizado na região sudoeste da Colômbia, perto da cidade de Pasto. É considerado um dos vulcões mais ativos da Colômbia. Seu cume sobe 4,276 metros (14,029 pés) acima do nível do mar. Ele entrou em erupção com frequência desde a conquista espanhola, com sua primeira erupção histórica registrada em 7 de dezembro de 1580. Uma erupção de 1993 matou nove pessoas, incluindo seis cientistas que desceram à cratera do vulcão para coletar amostras de gases. Atualmente é o vulcão mais ativo da Colômbia. A mais recente grande erupção do Galeras ocorreu em 1993, o que causou a morte de vários cientistas e turistas que estavam dentro da cratera no momento da erupção.


Santa Maria, Guatemala

Santa María é um vulcão ativo localizado nas terras altas ocidentais da Guatemala, perto da cidade de Quetzaltenango. Sua erupção em 1902 foi uma das quatro maiores erupções do século 20 e uma das cinco maiores erupções dos últimos 200 anos. A mais recente grande erupção de Santa María ocorreu em 1902, que foi uma das erupções vulcânicas mais violentas do século 20 e causou a morte de mais de 5,000 pessoas.


Conclusão: Vulcões não entram em erupção, eles operam.

Os vulcões mencionados neste artigo têm uma coisa em comum: nenhum deles é uma “surpresa”.

Eles vêm fazendo a mesma coisa há anos, até mesmo milhares de anos. O magma sobe, o gás escapa, a pressão diminui e a crosta terrestre muda de forma. Só que às vezes percebemos.

Geralmente nos lembramos dos vulcões pelos momentos de suas erupções. No entanto, geologicamente, o mais importante é o período entre as erupções. Porque é ali que a verdadeira atividade acontece. As câmaras magmáticas se enchem, esvaziam e se enchem novamente. Falhas se expandem. A superfície se expande ou colapsa lentamente.

Por isso, dizer "vulcão mais ativo" não significa aquele que entra em erupção com mais frequência. Os mais ativos são:

  • Sistemas que não foram fechados
  • Onde a alimentação por magma não cessou
  • Onde a emissão de gases não cessa
  • Sistemas que ainda estão geologicamente ativos

As lavas silenciosas do Kīlauea, as erupções intermináveis ​​do Etna, as explosões quase rítmicas de Stromboli, o lago de lava do Erta Ale que não seca durante anos... Todos esses são personagens diferentes, mas partes da mesma história.

Existe também esta verdade: vulcões não são perigosos. Viver perto de vulcões é que é perigoso.

Merapi, Sakurajima e Nyiragongo são os exemplos mais claros disso. Os mesmos processos geológicos produzem resultados completamente diferentes em geografias distintas. O risco surge não tanto da geologia em si, mas no ponto de intersecção com a ação humana.

Em conclusão, esses vulcões não são exceções na Terra. Pelo contrário, são a prova de como a Terra funciona.

Nosso planeta ainda está quente. Ainda está em movimento. E continua mudando.